Desembarcando no Arch (O Retorno)

Minha alforria do GRUB

Bootloader no-nonsense: systemd-boot

Não tenho nada contra o escopo do GRUB de ser um bootloader tipo pia da cozinha, que suporta tudo de todas as maneiras possíveis. Repugnante é o formato usado em seus arquivos de configuração.

Como bom nômade, migrei para o Arch depois de longa estada no openSUSE. Só que desta vez decidi não usar o GRUB de jeito nenhum. Configurei meu notebook para iniciar em UEFI e passadas algumas horas, com relativa facilidade, tinha um Arch funcional e enxuto com o GNOME. No lugar do inchado bootloader, pus o systemd-boot, antigo Gummiboot. Achei a página que trata dele na wiki desnecessariamente complicada.

Meu particionamento é o mais KISS possível (sugiro o cfdisk):

Disk /dev/sda: 465.8 GiB, 500107862016 bytes, 976773168 sectors
Units: sectors of 1 * 512 = 512 bytes
Sector size (logical/physical): 512 bytes / 4096 bytes
I/O size (minimum/optimal): 4096 bytes / 4096 bytes
Disklabel type: gpt
Disk identifier: XXXXXXXX-XXXX-XXXX-XXXX-XXXXXXXXXXXX

Device       Start       End   Sectors   Size Type
/dev/sda1     2048   1050623   1048576   512M EFI System
/dev/sda2  1050624 976773134 975722511 465.3G Linux filesystem

Montagem dos volumes durante a instalação. A partição ESP (EFI System Partition) deve ser montada em /boot (/mnt/boot enquanto instalamos):

# wipefs -af /dev/sda1
# wipefs -af /dev/sda2
# mkfs.fat -F 32 /dev/sda1
# mkfs.xfs /dev/sda2
# mount /dev/sda2 /mnt
# mount /dev/sda1 /mnt/boot -o X-mount.mkdir

Depois de instalar os pacotes e configurar o sistema (pacstrap, genfstab, arch-chroot):

# bootctl install

Criar os arquivos:

/boot/loader/loader.conf

default arch
timeout 5
editor  0

/boot/loader/entries/arch.conf

title    Arch Linux
linux    /vmlinuz-linux
initrd   /initramfs-linux.img
options  root=PARTUUID=xxxxxxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx rw quiet systemd.show_status=1

A sequência de x é o UUID da partição (GPT) raiz (/dev/sda2 na minha instalação), obtido com:

# blkid -s PARTUUID -o value /dev/sda2

Dá para usar UUID do sistema de arquivos também (-s UUID), pois o mount suporta ambos. Usando PARTUUID, como é recomendado na wiki, torna o sistema mais robusto, pois, se o UUID mudar, continuará funcionando.

Dica: o genfstab gera uma entrada para a partição ESP no /etc/fstab. Recomendo removê-la, pois o systemd-gpt-auto-generator, quando o systemd-boot é usado, cria automaticamente boot.automount, que desmonta o volume depois de 120 segundos de inatividade. Não é obrigatório, porém é uma configuração mais segura. A partição ESP é delicada. Lembremos que o sistema de arquivos dali (FAT) não é journaled. Caso fique corrompido, nada de boot. Através do automount, estará na maior parte do tempo desmontado e a salvo de qualquer azar. ☺

Jan 19 21:22:48 thinkpad systemd[1]: boot.automount: Got automount request for /boot, triggered by 3783 (bash)
Jan 19 21:22:48 thinkpad systemd[1]: Mounting EFI System Partition Automount...
Jan 19 21:22:48 thinkpad systemd[1]: Mounted EFI System Partition Automount.
...
Jan 19 21:26:49 thinkpad systemd[1]: Unmounting EFI System Partition Automount...
Jan 19 21:26:49 thinkpad systemd[1]: Unmounted EFI System Partition Automount.

Tchau, GRUB. Passar bem.

# bootctl 
System:
     Firmware: UEFI 2.31 (Lenovo 0.9568)
  Secure Boot: disabled
   Setup Mode: user

Loader:
      Product: systemd-boot 228
    Partition: /dev/disk/by-partuuid/xxxxxxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx
         File: `-/EFI/systemd/systemd-bootx64.efi

Boot Loader Binaries:
          ESP: /dev/disk/by-partuuid/xxxxxxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx
         File: `-/EFI/systemd/systemd-bootx64.efi (systemd-boot 228)
         File: `-/EFI/Boot/BOOTX64.EFI (systemd-boot 228)

Boot Loader Entries in EFI Variables:
        Title: Linux Boot Manager
           ID: 0x0004
       Status: active, boot-order
    Partition: /dev/disk/by-partuuid/xxxxxxxx-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx
         File: `-/EFI/systemd/systemd-bootx64.efi

Arch Way Of Life

Das vezes anteriores que tentei usar o Arch sempre acabava encontrando algum problema insolúvel, ruinoso. Cabe dizer que havia usado o KDE nessas tentativas.

Desta vez, por outro lado, foi tranquilo. Algum tempo gasta-se pesquisando quais pacotes são necessários e realizando pouca configuração manual aqui e acolá, mas nada que tenha abalado minha fé pelo caminho. O GNOME a esta altura, na versão 3.18, está bem polido e integrado.

O Arch Way Of Life é mais racional. Ao invés de ficar depenando o bloatware de instalações do Fedora ou openSUSE, melhor construir uma instalação do Arch, pacote por pacote.

Tenho em mãos uma distribuição comunitária, moderna, sem ranço, cujo foco é excelência técnica.

Firefox GTK+ 3

O Firefox 43 do Arch é compilado com GTK+ 3. Inconscientemente estava esperando fogos de artifício, luzes piscantes, bebida liberada. Nada disso. A interface é praticamente a mesma do velho toolkit GTK+ 2. Foram vestindo aos poucos uma roupa nova, mesmo corte e medida, porém feita com tecido melhor, por baixo da velha. Até o ponto em que tornou-se possível arrancar a velha e ficar com a nova.

Outra novidade da versão 43 é o abandono do GStreamer para tocar multimídia — já completamente removido do código. Agora, carrega diretamente, quando presente no sistema, a libavcodec do FFmpeg/Libav. Está funcionando bem. Não existe por enquanto, contudo, decodificação por hardware (MOZBZ#563206).

Cabelo curto FTW, Suzanne!
libvpx decodifica VP9

No openSUSE, o Firefox é compilado com -Os, enquanto, no Arch, com -O2. Pelo fato do Arch sempre usar versão recente do GCC, o binário tende a ser mais otimizado.

Ah, Flash nem pensar. Não poluirei minha instalação com essa porcaria.

Comentários

  1. "Ah, Flash nem pensar. Não poluirei minha instalação com essa porcaria."
    rsrs dois.

    ResponderExcluir

Postar um comentário